Pacotão de Obama
Parece que só o presidente Lula ainda não percebeu que a crise é global no sentido real da palavra e não pertence apenas à União Européia e aos Estados Unidos. O pior é que ele sabe que os efeitos são fortes por aqui, mas prefere manter a onda de otimismo e sustentar a aprovação recorde de seu governo, que é de 84%. Se estivessemos tão tranquilos não iriamos ter que recorrer à OMC(Organização Mundial do Comercio) contra as medidas protecionistas que estão se tornando medidas cada vez mais comum entre os países que querem protejer seus níveis de emprego e produção industrial. Barack Obama não vê a hora de seu pacote de 900 bilhões de dólares ser aprovado no Senado, o objetivo do pacote: fazer a economia norte americana engrenar novamente com obras públicas, gerando emprego, consumo, desovar os estoques dos galpões e evitar novas demissões na industria. Trata-se de uma medida keynesiana, a mesma que foi utilizada na década de 1930 pelo presidente Franklin Roosevelt. Um resumo chulo das ideias de Keynes é a seguinte: é preciso garantir empregos e renda aos trabalhadores para movimentar a economia, para isso, o governo deve realizar obras, mesmo que não haja mais a necessidade de mão de obra deve-se efetuar a empregabilidade, nem que seja para fazer buracos e depois tapá-los. Pois bem, o pacotão tinha inicialmente clausulas de protecionismo extremo em que se exigia a utilização exlusiva de insumo norte americano na realização das obras e foi denominado buy American. A contestação mundo afora foi geral, como o maior consumidor do mundo pode deixar de comprar de uma hora para a outra? As queixas foram ouvida e o Senado afroxou a medida para evitar uma guerra comercial, o problema é que o Tio Sam se propôs a comprar apenas de países signatários, do Acordo de Compras Governamentais como Canadá e União Européia, deixando o chamado BRIC(Brasil, China, India e China) a ver navios. Obama está começando a sentir as dificuldades de governar a marioa potência econômica do mundo e tem como obstáculo o fato de não ter autônomia nas cadeiras do Senado para aprovar suas medidas. Até mesmo membros do Partido Democrata são contra o pacotão, que dirá os Republicanos, céticos em relação as vantagens de tal medida ousada. Riscos existem, no entanto é necessário a tomada de medidas ousadas, tendo em vista que não se trata de uma crise simples, mas sim de um colapso financeiro gigantesco, o maior dos últimos cinquenta anos e que começou a ter efeitos avassaladores no setor produtivo desde novembro. A cada dia se ouve mais notícias de corte na produção, demissões, férias coletivas forçadas, diminuição na jornada de trabalho e fechamento de fábricas no mundo todo, inclusive no Brasil. Ano passado Bush e compania fizeram um pacote de 700 bilhões de dólares para ajudar os bancos e dar fôlego ao mercado financeiro. Agora é hora de ajudar a população de renda mais "normal" e que não teve culpa nehuma nos estragos causados pela farra do crédito em Wall Street. Num regime democrático o Estado deve tratar todos de modo igual, mas a demora na aprovação do pacote em prol do povo mostra que tal premissa é muito bonita nos manuais de política, na vida real a coisa é bem diferente.
Escrito por Érico Oyama às 23h27
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