Quanto mais feio melhor
Domingo houve a entrega do Oscar 2008 e mais uma vez Brad Pitt não foi coroado com a estatueta mais badalada no mundo do cinema. Ainda não assisti a Milk- A Voz da Igualdade, mas pelo que pude ouvir e ler, não houve injustiça ao conceder a Sean Penn o prêmio de melhor ator. Estava lendo as expectativas de Luiz Carlos Merren (O Estado de S. Paulo) sobre os possíveis vencedores de domingo e me deparei com uma afirmação que me chamou a atenção. Ele dizia que Brad Pitt está arrasador no papel de Benjamin Button, mas que contra ele conspiravam os fatos dele ser bonito, do filme ser uma “fantasia” e que o rosto dele foi posto em outros corpos para caracterizar as diferentes idades. Até entendo que não atuar o filme todo com cem por cento de seus trejeitos é uma desvantagem e que academia queira maior prestígio e passar a premiar filmes que sejam mais Cult e não os famosos arrasa-quarteirões. Mas o que é inaceitável é deixarem de serem justos com atores do sexo masculino devido a sua beleza. Aliás, acho que Brad Pitt é um dos únicos homens na face da Terra que tem raiva de sua beleza. É curioso porque tal critério não se repete com as mulheres, esse ano mesmo as duas atrizes vencedoras, Penélope Cruz (melhor atriz coadjuvante) e Kate Winslet (melhor atriz), são lindas. Não quero dizer que todos os vencedores são feios, Marlon Brando e Yul Brynner que os digam. Porém não existe ninguém melhor do que Paul Newman para comprovar a tese de que beleza não atrai the academy, ganhou um Oscar pelo conjunto da carreira em 1985 e só ano seguinte foi premiado do modo “normal” por sua atuação em A Cor do Dinheiro. Se o caso de Newman for regra, Brad Pitt ainda tem muita estrada pela frente antes de receber uma estatueta. Em Hollywood ser feio é uma virtude.
Escrito por Érico Oyama às 18h12
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