Fim dos tempos de bonança
Corintiano sempre foi o torcedor mais chato, até porque, tem que se admitir, são os mais fanáticos. Quem é que não se lembra deles gritando “Eu nunca vou te abandonar. Porque eu te amo!!!” logo após a derrota para o Grêmio na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2007, que confirmou o rebaixamento. A segunda divisão, ironicamente, fortaleceu ainda mais a relação de amor torcida-time. Mas com o Corinthians é assim mesmo, tanto é que o período de maior crescimento no número de corintianos foi no período de fila do time, entre 1955 e 1978. Segundo eles “Quanto mais sofrido melhor”. Nos últimos anos o quadro de “insuportabilidade” passou a se encaixar mais aos são-paulinos. Era simplesmente insuportável, não dava para discutir futebol com nenhum são-paulino, qualquer coisinha que se falava e eles já vinha esbanjando “Só sei que eu sou tricampeão mundial, tricampeão da Libertadores e o Brasileirão já virou rotina”, restava aos torcedores de outros times se calar e se corroer de raiva por dentro. Tudo bem. Não falou nenhuma mentira e ainda se saiu por cima. Flávio Prado, jornalista esportivo da rádio Jovem Pan-AM e da Gazeta, sempre disse que no caso do São Paulo é o time que tem que empurrar a torcida e não a torcida empurrar o time. “Se o São Paulo está ganhando e jogando bem é uma festa danada, mas se o São Paulo joga mal e o placar não é favorável a torcida é completamente inútil”, diz. De fato, ano passado fui ver São Paulo x Fluminense, uma vitória simples daria o título para os paulistas, e dentro de casa, o que é melhor ainda. O Morumbi estava com lotação total, o cenário estava totalmente apto para a festa, contudo, havia um Flu com risco de rebaixamento pela frente e Tartá abriu o placar a favor dos cariocas, silêncio total no estádio. E a torcida? Permaneceu calada, exceto as organizadas, e o que se ouvia eram xingamentos de todos os quilates. Depois do empate de Borges o cenário mudou e gritos de incentivo voltaram e ecoar. Torcer nas horas boas é fácil, encher a boca para tirar sarro da cara dos outros é fácil, xingar jogador é fácil. Porém, qual o verdadeiro papel do torcedor? A meu ver é estar do lado time para o que der e vier. Torcedor de verdade veste a camisa do time no dia seguinte de uma derrota. Esse ano o inferno astral do tricolor paulista parece não ter fim: caiu nas semifinais do Paulistão ante o maior rival, o Corinthians; foi eliminado da Libertadores por um time nacional pela quarta vez consecutiva; terminou o casamento de três anos e meio com Muricy Ramalho; vai mau das pernas no Campeonato Brasileiro; e o Cícero Pompeu de Toledo, motivo de orgulho para o clube, vem acumulando prejuízos, ainda mais depois que Palmeiras, Santos e Corinthinas passaram a deixar de mandar jogos no Morumbi. Nesses anos de bonança o São Paulo tornou mais estreito o seu relacionamento com os outros três grandes do Estado e com a Federação Paulista, até entendo que em certos casos teve (e tem) razões para tal. Contudo, a boa fase parece ter tido seu fim e os resquícios pelo salto alto são sentidos agora. Quero ver quem é são-paulino, qual a verdadeira cara do torcedor tricolor. Ou teremos Morumbi as moscas no restante do Campeonato Brasileiro? Paradoxalmente o estádio, que motivo de orgulho, também é prejudicial ao time. Explico: Santos e Palmeiras podem até ter médias de público inferiores ao do São Paulo, mas, devido à estrutura do estádio, a torcida exerce maior pressão e conseguem incentivar mais o time. Espero que Juvenal Juvêncio e companhia nunca tenham e dissabor de serem rebaixados, porque aí sim o Morumbi ficará as moscas. E os tão orgulhosos tricampeões de tudo só saberão xingar e apontar culpados para os fracassos.
Escrito por Érico Oyama às 23h46
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Muricy e sua saída
Num país em que a impaciência é a principal virtude dos cartolas podemos considerar longíqua a passagem de três anos e meio de Muricy Ramalho pelo São Paulo. Na Inglaterra Alex Ferguson está no comando do Masnchester United há 22 anos e Arsene Wenger, do Arsenal, esrá no clube há 13 anos. O que mais me estranhou não foi a demissão em si, mas sim, a época do ano em ela ocorreu. Quem tem a memória um pouco conservada se lembra muito bem que nos últimos três anos o tricolor paulista sempre teve o início de ano conturbado, faz um Campeonato Paulista morno, perde a Libertadores de modo desastroso (sempre para algum time brasileiro) e depois renasce das cinzas, sempre sendo coroado com a conquista do Campeonato Brasileiro ao final do ano. As desculpas dadas são as de que o relacionamento com os jogadores estava desgastado, muitos deles vinham reclamando a permanência no banco e que o técnico estava desmotivado. Agora vamos à analise fria dos fatos: quem reclamou do banco? Borges (justa reclamação), Washington (é titular, mas não vem rendendo bem, portanto Muricy tinha toda razão em substituí-lo durante os jogos) e André Lima... O que? André Lima? Hauhauhuahuahuahuah!!! Não é a toa que José Simão fala que a profissão mais fácil no Brasil é a de humorista, afinal de contas a piada já vem pronta. Preciso falar alguma coisa? Só posso dizer uma coisa "André Lima, você é um tremendo de um BRINCALHÃO!!!". Admiro Muricy Ramalho, não por suas qualidades como técnico, mas principalmente, como pessoa. É um cara ético, integro, de palavra, qualidades cada vez mais rara não só no futebol, mas no mundo. Tem como lema nunca quebrar contrato e nem coloca multa por recisão por parte do clube, ao contrário de certos treinadores que fazem questão de colocarem valores astronômicos e depois fazem de tudo para ser demitido. Mercado para o mau humorado mais querido do Brasil não falta, no entanto, ele já declarou que quer descansar por um tempo, nada mais justo. Só dou um conselho: se quer realmente descando é bom contratar uma secretária, pois convites para voltar a labuta não faltarão e a cada demissão de algum técnico de time garnde seu nome, com certeza, será a primeira opção da lista. Me espantou a rapidez com que Ricardo Gomes foi anunciado substituto de Muriçoca. Achei a escolha equivocada, não vejo nada de mais no ex-treinador da Seleção Olímpica.
Escrito por Érico Oyama às 11h20
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